Como nos dizia Budha, a enfermidade, o sofrimento e a
morte são constantes companheiros em nossa passagem pela matéria e, nesta
medida, nós estamos sujeitos a eles. Caminhamos por um mundo de dualidades, o
que faz com que necessariamente vivenciemos de alguma forma os dois pólos das
diferentes situações que atravessamos durante a existência.
Conscientes
desta dualidade estamos preparados para
entender o que significa o equilíbrio e a saúde
em nossas vidas. Se a doença, o sofrimento e a morte são vivências
inevitáveis da nossa encarnação, é conscientes de sua existência que podemos
criar um equilíbrio.
Em
um mundo de dualidades, é necessário sempre escolher uma opção a seguir,
deixando de lado e latente uma das possibilidades. Se excluirmos as
possibilidades do nosso campo de consciência, elas necessariamente se
manifestarão em nossa vida como parte do nosso sofrimento. Isto se torna
visível em nossas relações com nós mesmos, com os outros, com o nosso entorno
ou com a doença em na mente ou ainda, em
no corpo como última instância, para nos tornar conscientes da dualidade ou
separação que criamos.
Uma
doença é então a manifestação de uma vivência necessária para nosso equilíbrio
de um aspecto que negamos ou esquecemos em um momento decisivo. Quando se
manifesta, a doença é rejeitada em igual medida que a negamos no momento da
escolha. E assim, nós empenhamos toda a nossa força para que o sintoma desapareça
sem compreender que o que fazemos desaparecer são só os sintomas e não a experiência que ela
nos transmite para unificarmos e compreendermos que somos o todo, e assim torna
a manifestar-se em um novo plano até que ela seja assumida e vivenciada totalmente
por nossa consciência.
Para iniciar o trabalho de cura é necessário compreender
esta dinâmica tanto em nós mesmos como nos outros. Toda enfermidade se
manifesta para trazer um equilíbrio, um conhecimento necessário para nossa
integridade como seres totais,universais e portanto deve ser tratada como um
mestre que nos traz seus ensinamentos com a força da verdade, como um próprio
processo de autoconhecimento.
O
processo de cura, como parte do mundo da matéria, também tem uma dupla manifestação,
diferentes caminhos a seguir que exigem uma escolha, tanto de nós como
terapeutas como do próprio paciente. Esses caminhos se caracterizam assim: um
como o da FORÇA, fazendo referência à carta número 8 do tarô e que caracteriza
nossa possibilidade de manipular a realidade através de recursos externos e de
forma radical, acentuando ainda mais o processo de dualidade por fazermos
desaparecer aquilo que não aceitamos; o outro caminho é o da JUSTIÇA, carta
número 11 que faz referência ao merecimento, justiça no sentido de cada um
receber o que lhe pertence. Esta dualidade se manifesta não somente no campo da cura. Para dar um
exemplo e fazê-la mais compreensível vamos trazê-la para o plano social: um
governo pode dar uma ótima educação a seus cidadãos e desta forma fazer com que
exista uma boa qualidade de vida, com oportunidade e direitos iguais para
todos, gerando uma sociedade próspera e segura. Pelo contrario, um governo pode
investir mais em sua área de coerção reforçando sua polícia e seu exército e
desta forma castigando os cidadãos que não cumprem as normas, gerando, desta
forma, estabilidade e segurança. Vemos que nos dois casos o governo atinge o
mesmo resultado através de procedimentos contrários, independentemente de como julguemos ser
melhor forma de agir
