quarta-feira, 14 de setembro de 2011

A Cura terapeutica alem da Corporalidade I





Como nos dizia Budha, a enfermidade, o sofrimento e a morte são constantes companheiros em nossa passagem pela matéria e, nesta medida, nós estamos sujeitos a eles. Caminhamos por um mundo de dualidades, o que faz com que necessariamente vivenciemos de alguma forma os dois pólos das diferentes situações que atravessamos durante a existência.
                Conscientes desta dualidade estamos  preparados para entender o que significa o equilíbrio e a saúde  em nossas vidas. Se a doença, o sofrimento e a morte são vivências inevitáveis da nossa encarnação, é conscientes de sua existência que podemos criar um equilíbrio.
                Em um mundo de dualidades, é necessário sempre escolher uma opção a seguir, deixando de lado e latente uma das possibilidades. Se excluirmos as possibilidades do nosso campo de consciência, elas necessariamente se manifestarão em nossa vida como parte do nosso sofrimento. Isto se torna visível em nossas relações com nós mesmos, com os outros, com o nosso entorno ou com  a doença em na mente ou ainda, em no corpo como última instância, para nos tornar conscientes da dualidade ou separação que criamos.
                Uma doença é então a manifestação de uma vivência necessária para nosso equilíbrio de um aspecto que negamos ou esquecemos em um momento decisivo. Quando se manifesta, a doença é rejeitada em igual medida que a negamos no momento da escolha. E assim, nós empenhamos toda a nossa força para que o sintoma desapareça sem compreender que o que fazemos desaparecer são  só os sintomas e não a experiência que ela nos transmite para unificarmos e compreendermos que somos o todo, e assim torna a manifestar-se em um novo plano até que ela seja assumida e vivenciada totalmente por nossa consciência.


Para iniciar o trabalho de cura é necessário compreender esta dinâmica tanto em nós mesmos como nos outros. Toda enfermidade se manifesta para trazer um equilíbrio, um conhecimento necessário para nossa integridade como seres totais,universais e portanto deve ser tratada como um mestre que nos traz seus ensinamentos com a força da verdade, como um próprio processo de autoconhecimento.

                O processo de cura, como parte do mundo da matéria, também tem uma dupla manifestação, diferentes caminhos a seguir que exigem uma escolha, tanto de nós como terapeutas como do próprio paciente. Esses caminhos se caracterizam assim: um como o da FORÇA, fazendo referência à carta número 8 do tarô e que caracteriza nossa possibilidade de manipular a realidade através de recursos externos e de forma radical, acentuando ainda mais o processo de dualidade por fazermos desaparecer aquilo que não aceitamos; o outro caminho é o da JUSTIÇA, carta número 11 que faz referência ao merecimento, justiça no sentido de cada um receber o que lhe pertence. Esta dualidade se manifesta  não somente no campo da cura. Para dar um exemplo e fazê-la mais compreensível vamos trazê-la para o plano social: um governo pode dar uma ótima educação a seus cidadãos e desta forma fazer com que exista uma boa qualidade de vida, com oportunidade e direitos iguais para todos, gerando uma sociedade próspera e segura. Pelo contrario, um governo pode investir mais em sua área de coerção reforçando sua polícia e seu exército e desta forma castigando os cidadãos que não cumprem as normas, gerando, desta forma, estabilidade e segurança. Vemos que nos dois casos o governo atinge o mesmo resultado através de procedimentos contrários,  independentemente de como julguemos ser melhor forma de agir

 

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